Primeira santa do Brasil foi canonizada em 2002 por João Paulo II
NOVA TRENTO, terça-feira, 24 de janeiro de 2005 (ZENIT.org).- A pequena cidade de Nova Trento, a 80km de Florianópolis (Santa Catarina, sul do Brasil), recebeu cerca de 12 mil devotos para a inauguração do Santuário de Santa Paulina, esse domingo.
Em procissão que partiu da Igreja de São Jorge, o grupo de fiéis chegou ao santuário por volta das 9h30, tendo à frente o arcebispo de Florianópolis, Dom Murilo Krieger, responsável por presidir a cerimônia de dedicação.
Os devotos foram recebidos por 200 crianças vestidas de branco que cantavam em coro nas escadarias do santuário. Em seguida teve início a missa, celebrada pelo arcebispo.
«Neste momento histórico, sua santidade, o Papa Bento XVI, por meio de mensagem encaminhada a nós, deseja unir-se espiritualmente às Irmãzinhas da Congregação Imaculada Conceição por ocasião da consagração do santuário», disse Dom Krieger.
O desafio de construir o Santuário Santa Paulina foi assumido pelas Irmãzinhas há cerca de dois anos.
Mas tudo havia começado em 1991, com a beatificação de Madre Paulina, pelo Papa João Paulo II, em Florianópolis, quando o Brasil e o exterior conheceram publicamente a Serva de Deus.
De lá para cá, foi inevitável a aglomeração cada dia maior, de pessoas, o que gerou a necessidade de criar condições para acolher os peregrinos, devotos e visitantes.
O Santuário tem um caráter arquitetônico que retrata a essência da trajetória de vida de uma mulher simples, de valores sólidos e puros, de imensa espiritualidade e bondade.
Um monumento de concreto, aço, vidro e granito com 6,9 mil metros quadrados de área coberta e 42 metros no ponto mais alto forma o santuário.
Em seu interior, 3 mil pessoas poderão se sentar em bancos feitos de madeira clara, compondo um anfiteatro com o altar de granito no centro, sob um pé-direito de 28 metros.
Santa Paulina
Amábile Lúcia Visintainer, hoje Santa Madre Paulina, nasceu aos 16 de dezembro de 1865, em Vigolo Vattaro, Província de Trento, Itália, naquele tempo região Sul-Tirol, sujeita à Áustria. Os pais, como toda a gente do lugar, eram ótimos cristãos, mas pobres, segundo refere biografia difundida pela Santa Sé.
Em setembro de 1875, a família de Napoleone Visintainer emigrou com muitos outros trentinos para o Brasil e no Estado de Santa Catarina, no atual município de Nova Trento, deram início à localidade de Vígolo.
Amábile, depois da primeira comunhão, recebida mais ou menos aos 12 anos, começou a participar no apostolado paroquial: Catecismo aos pequenos, visitas aos Doentes e limpeza da Capela de Vigolo.
No dia 12 de julho de 1890, junto com a amiga Virgínia Rosa Nicolodi, Amábile acolheu uma doente de câncer em fase terminal, dando início à Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, aprovada pelo Bispo de Curitiba, Dom José de Camargo Barros, aos 25 de agosto de 1895.
Em dezembro de 1895, Amábile e as duas primeiras companheiras (Virgínia e Teresa Anna Maule) fizeram os votos religiosos; e Amábile recebeu o nome de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. A santidade e a vida apostólica de Madre Paulina e de suas Irmãs atraíram muitas vocações, apesar da pobreza e das dificuldades em que viviam.
Em 1903, Madre Paulina foi eleita Superiora Geral por toda a vida pelas Irmãs da nascente congregação. Deixou Nova Trento e estabeleceu-se em São Paulo, no Bairro Ipiranga, onde se ocupou de crianças órfãs, filhos dos ex-escravos e dos escravos idosos e abandonados.
Em 1909, foi deposta do cargo de Superiora Geral pelo Arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, e enviada a trabalhar com os doentes da Santa Casa e os velhinhos do Asilo São Vicente de Paulo em Bragança Paulista, sem poder nunca mais ocupar algum cargo na sua Congregação.
Foram anos marcados pela oração, pelo trabalho e pelo sofrimento: tudo feito e aceito para que a Congregação das Irmãzinhas fosse adiante e “Nosso Senhor fosse conhecido, amado e adorado por todos em todo o mundo”.
Em 1918, com o consentimento de Dom Duarte, foi chamada pela Superiora Geral, Madre Vicência Teodora, sua sucessora, à “Casa Madre” no Ipiranga, e aí permaneceu até a morte, numa vida retirada, tecida de oração e assistência às Irmãs doentes, sendo também fonte de informação para a história da Congregação.
Morreu aos 9 de julho de 1942; e suas últimas palavras foram: “seja feita a vontade de Deus”.
A página mais luminosa da santidade e da humildade de Madre Paulina foi escrita pela conduta que teve quando Dom Duarte lhe anunciou a sua deposição: “Se ajoelhou... se humilhou... respondeu que estava prontíssima para entregar a Congregação... se oferecia espontaneamente para servir na Congregação como súdita”.
Permaneceu na sombra até a morte, em união com Deus, como declarou ao seu diretor espiritual, Pe. Luiz Maria Rossi, SJ: “a presença de Deus me é tão íntima que me parece impossível perdê-la e esta presença dá à minh‘alma uma alegria que não posso explicar”.
O carisma deixado por Madre Paulina para a sua Congregação se traduz na sensibilidade para perceber os clamores da realidade com suas necessidades e disponibilidade para servir, na Igreja, aos mais necessitados e aos que estão em situação de maior injustiça, com simplicidade, humildade e vida interior. É um servir alimentado por uma espiritualidade eucarístico-marial, pela qual toda a Irmãzinha faz de Jesus-Eucaristia o centro de sua vida alimentada por uma terna devoção à Virgem Imaculada e ao bom Pai São José.
http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=NOVIDADE1&id=ni10104

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